Uma
Visão do Custo de Oportunidade na avaliação
de um negócio. O custo do capital próprio.
Por:
Eduardo Benetti - 26/12/2001
No livro "Avaliação de Empresas: Da mensuração
Contábil à Econômica" de Eliseu Martins,
temos a definição de Custo de Oportunidade:
"Na empresa, toda vez que existirem problemas de escolha
entre várias alternativas de ação, estará
presente o conceito de custo de oportunidade. Quando analisa
várias alternativas de decisão, o decisor, intuitiva
ou propositadamente, sempre se perguntará se o benefício
a ser obtido, em relação ao sacrifício
de recursos correspondentes, será o melhor possível
nas circunstâncias em que a decisão está
sendo tomada. Essa é a exata essência do conceito
de custo de oportunidade."
Quem
detém o capital possui à sua disposição
várias alternativas de aplicar esse capital em algo
que lhe trará um retorno. Aqui alguns aspectos são
importantes como a remuneração em valores, o
prazo da aplicação do capital e o risco de não
conseguir o rendimento desejado ou ainda perder o capital
empregado.
Na
prática, quando um investidor avalia várias
oportunidades de investimento e faz a opção
por uma, espera ter escolhido certo a melhor opção,
a que trará um melhor retorno, num prazo mais curto
possível e correndo menores riscos. Esse é o
custo de oportunidade, é a decisão aplicada
na melhor oportunidade de investimento.
Daí
surge o conceito de "Custo de Capital", que é
uma referência padrão de mercado cuja oportunidade
de investimento baseia-se em uma ponderação
entre a remuneração, o prazo e os riscos. É
senso comum que hoje existem várias opções
de investimentos direto em instituições financeiras,
seja através de fundos, poupança, ações,
moedas estrangeiras, etc. Deixando de lado nesse momento a
questão do prazo, que oferece grande quantidade de
opções no mercado, vamos pensar na relação
remuneração e riscos. Quanto maiores os riscos
do investimento maior será a taxa de remuneração
do capital e vice-versa. Mas, apesar dessa variável,
existem alguns investimentos considerados moderados em que
os riscos são mínimos e ainda assim existe uma
remuneração aceitável segundo alguns
padrões de mercado. São os casos dos fundos
de renda fixa disponíveis nas instituições
financeiras.
Ora,
o que me leva a investir na compra de um posto revendedor
se o retorno não for maior do que se eu investir em
fundo de renda fixa?
Por
isso na análise de alternativas de negócios,
o investidor tem que considerar na conta do retorno do investimento
na aquisição de um posto o valor de uma remuneração
normal que receberia automaticamente se investisse no mercado
financeiro, e só após esse desconto, verificar
o real retorno que terá acima do mínimo exigível.
Aqui
está um erro comum desse mercado. Tenho visto vários
cálculos de retorno pela simples divisão do
saldo mensal do fluxo de caixa pelo capital sem levar em consideração
uma remuneração mínima que o investidor
teria ao aplicar esse capital no mercado financeiro.
Assim,
fica uma dica direcionada para o investidor: ao avaliar um
negócio desconte no cálculo do retorno a parcela
relativa ao custo do capital para só depois decidir
sobre o negócio.