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O retorno do investimento na aquisição de um Posto Revendedor. A visão do investidor.

Por: Eduardo Benetti - 19/12/2001

Para falar sobre esse assunto é necessário esclarecer alguns pressupostos básicos relacionados com as intenções de quem quer comprar um posto:
1. Ninguém quer perder dinheiro.
2. Comprar um posto vai exigir capital e investimento.
3. Todos esperam obter o máximo retorno do capital investido, no menor espaço de tempo.
4. Deve-se avaliar diversas alternativas de negócios e escolher corretamente para não perder.
Então cabe a pergunta chave:
"Como avaliar o melhor negócio, aquele que vai proporcionar o melhor retorno do capital investido?"

Para decidir qual é o melhor negócio é necessário entender qual é o potencial de retorno do investimento, e isso nos leva a dois caminhos a serem analisados:

· Potencial Atual
Representa a atualidade operacional do posto. Quanto o posto está deixando de dinheiro no final do mês.

· Potencial Futuro
É obtido pela análise das possibilidades futuras do negócio. Ele pode evoluir aproveitando-se as oportunidades de mercado ou pode regredir, significando perda, conforme os riscos e ameaças da gestão e do mercado.

Analisando o Potencial Atual é preciso fazer as contas de quanto dinheiro o posto está deixando no final de um mês e, em seguida, calcular a taxa e o prazo de retorno do investimento. Aconselho o uso do método baseado no fluxo de caixa operacional, também conhecido por EBITDA, pois reflete a real capacidade de entrada e saída de recursos relacionados com a atividade operacional do posto.

Retorno em Reais = Entradas (produtos vendidos) - Saídas (custo produtos e demais despesas excluindo-se custos financeiros)
Onde:
· Entradas
É a soma de todos os recursos financeiros que entram no posto, num período de um mês, provenientes da venda de produtos relacionados com o negócio do posto, como combustíveis, óleos, serviços de lavagem, produtos variados colocados à venda, conveniência, etc. Deve-se considerar os valores brutos de entrada e, em hipótese nenhuma, deve-se acrescentar valores provenientes de aplicações financeiras, juros recebidos, multas, recebimentos atrasados ou qualquer outra entrada de dinheiro que não esteja diretamente vinculada com o negócio principal do posto.

· Saídas
São todos os pagamentos adquiridos no período em questão, independente se foram efetivamente pagos ou não dentro desse período. Incluem o pagamento dos fornecedores dos produtos vendidos, os impostos referentes ao período, as despesas como contador, seguro, aluguel, funcionários, encargos trabalhistas, etc. Não deve incluir, em hipótese nenhuma, a saída para pagamentos financeiros como juros, financiamentos, multas, ou qualquer saída de recursos que não esteja ligado diretamente com a atividade operacional do posto. Não incluir também os custos relacionados com a incidência dos impostos sobre o lucro (Imposto de Renda e CSLL).
Importante: no caso do vendedor possuir o imóvel, mas esse não fazer parte da negociação, deve-se incluir o valor do aluguel estipulado pelo proprietário para que o cálculo represente a realidade do negócio.

Assim temos o retorno mensal em Reais do Posto. Podemos fazer a análise a partir desse resultado, mas eu não aconselho pois existem outros dois fatores que considero importantes para essa análise.
É o caso do "Custo do Capital", também conhecido por EVAÒ, que separa o que você normalmente obteria se aplicasse o capital no mercado investidor do montante recebido. É muito simples, imagine que você precisa receber mais do que receberia se aplicasse em banco o capital, caso contrário não tem vantagem alguma em aplicar num Posto.

Outro fator a ser considerado é a depreciação, pois estará adquirindo um negócio em andamento e cujos equipamentos instalados já possuem um tempo instalados e logo precisarão passar por uma manutenção ou até serem substituídos. Isso se torna importante quando sabemos que são equipamentos que representam custos consideráveis e que existem exigências ambientais (CETESB), comerciais (visual do posto) e operacionais (bomba eletrônica) que aumentam com o passar do tempo.

Trata-se de uma questão atual pois cada vez mais tudo isso fica a cargo do dono do posto, seja pelo advento dos Postos Bandeira Branca ou devido à redução observada ultimamente na colaboração de algumas distribuidoras conhecidas.

Aconselho de uma forma genérica a considerar o custo da depreciação para os equipamentos e instalações mais sujeitos a desgastes com o tempo e que representam custos elevados. São os casos da cobertura, dos tanques, das bombas, da automação e instalações hidráulicas.

Através de um consenso atual de mercado, estimo que a depreciação desses itens deve considerar um prazo de 8 anos (96 meses) e aconselho o uso dela principalmente para os Postos Bandeira Branca. Pelas fórmulas abaixo a depreciação é calculada pela projeção total nos meses que faltam para decorrer o prazo final da depreciação

Seguem os modelos de cálculos:

RETORNO SIMPLES

Taxa de Retorno (%) = Retorno Mensal x 100
Valor do Negócio

Tempo de Retorno = Valor Negócio
em meses Retorno Mensal


RETORNO COM CUSTO DE CAPITAL (EVA®)

EVAÒ = Valor Negócio x Taxa de Juros Mensal (%)

Taxa de Retorno (%) = Retorno Mensal - EVA®x 100
Valor do Negócio

Tempo de Retorno = Valor Negócio
em meses Retorno Mensal - EVA®

 

RETORNO COM DEPRECIAÇÃO

DEPRECIAÇÃO = Valor Bens Depreciáveis
Prazo Total Depreciação - Prazo Decorrido

Taxa de Retorno (%) = Retorno Mensal - Depreciação x 100
Valor do Negócio

Tempo de Retorno = Valor Negócio
em meses Retorno Mensal - Depreciação

 


RETORNO COM CUSTO DE CAPITAL (EVAÒ) E DEPRECIAÇÃO

EVA®= Valor Negócio x Taxa de Juros Mensal (%)

DEPRECIAÇÃO = Valor Bens Depreciáveis
Prazo Total Depreciação - Prazo Decorrido


Taxa Retorno (%) = Retorno Mensal - EVA®- Depreciação x 100
Valor do Negócio

Tempo Retorno = Valor Negócio
em meses Retorno Mensal - EVA®- Depreciação

 

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