Como
alcançar o valor de negócio de um Posto Revendedor
de Combustíveis.
Parte 4 - Método do Múltiplo de Fluxo de Caixa.
Por:
Eduardo Benetti - 19/12/2001
Trata-se
de um método bastante atual e muito usado para avaliar
todo tipo de empresa. Publicações especiais
sobre ranking de empresas classificam as melhores exatamente
pelo potencial do fluxo de caixa, medido costumeiramente pelo
índice chamado de EBITDA, que exatamente considera
a capacidade operacional de entrada de dinheiro sem considerar
saídas do caixa como depreciações, amortizações,
exaustões, receitas financeiras e encargos sobre o
lucro. Um exemplo dessas publicações é
o "Balanço Anual" editado pelo Jornal Gazeta
Mercantil.
Eliseu
Martins, em sua publicação "EBITDA: o que
é isso? Pela IOB São Paulo, Boletim 6/98 - Temática
Contábil" explica o significado do conceito EBITDA:
"o
que se quer, com o EBITDA, é o valor do caixa, ou melhor,
do potencial de geração do caixa (portanto valores
antes de se considerarem as depreciações) produzido
pelo ativos genuinamente operacionais (excluindo-se então
as receitas financeiras que, neste caso, não são
objetivos da empresa), sem os efeitos decorrentes da forma
de financiamento da empresa (portanto, excluindo-se também
as despesas financeiras) e antes dos efeitos dos tributos
sobre o resultado (Imposto de Renda e Contribuição
Social sobre o Lucro)".
Na
prática significa apurar o saldo do caixa referente
exclusivamente com as entradas (recebimentos) e saídas
(pagamentos), decorrentes da venda dos produtos e do pagamento
dos fornecedores, funcionários, e impostos e taxas
referentes, sem acrescentar mais nada na avaliação.
Vantagens:
· fácil aplicabilidade;
· exclui os riscos de avaliação provenientes
da camuflagem da venda pelo cálculo da galonagem (vende-se
muitos litros mas com uma baixa margem de lucro);
· não se baseia na contabilidade;
· reflete o valor do negócio baseado no potencial
de vendas e integralização do resultado em receita
efetiva;
· avalia conjuntamente a atividade direta do posto
e também dos agregados (óleo, serviços
de lavagem, conveniência, etc.), pois tudo é
somado ao fluxo de caixa, não exigindo avaliações
separadas;
· normalmente o fator reflete uma situação
real de mercado, principalmente se obtido de profissionais
ligados ao segmento.
Desvantagens:
· exige um levantamento de informações
mais apurado;
· as informações são provenientes
exclusivamente do proprietário, o que pode gerar dúvidas
quanto a sua veracidade, mas paralelo a isso, as informações
podem ser checadas baseado em referências comparativas
de mercado.
Considerações
importantes:
· o cálculo deve ser feito com base num período
de 30 dias;
· basear o cálculo no regime de competência,
ou seja, o produto foi efetivamente vendido no mês independente
se foi pago ou recebido em outro período;
· considerar o custo dos produtos pelo valor de reposição
do mesmo.
Assim
temos:
Valor
do Negócio em Reais = Entradas (produtos vendidos)
- Saídas (custo produtos e demais despesas excluindo-se
custos financeiros) x Fator Multiplicação +
Imóvel + Contas a Receber e Estoque - Dívidas
Adquiridas
Onde:
· Entradas
É a soma de todos os recursos financeiros que entram
no posto, num período de um mês, provenientes
da venda de produtos relacionados com o negócio do
posto, como combustíveis, óleos, serviços
de lavagem, produtos variados colocados à venda, conveniência,
etc. Deve-se considerar os valores de entrada sem levar em
consideração os custos e, em hipótese
nenhuma, deve-se acrescentar valores provenientes de aplicações
financeiras, juros recebidos, multas, recebimentos atrasados
ou qualquer outra entrada de dinheiro que não esteja
diretamente vinculada com o negócio principal do posto.
·
Saídas
São todos os pagamentos adquiridos no período
em questão, independente se foram efetivamente pagos
ou não dentro desse período. Incluem o pagamento
dos fornecedores dos produtos vendidos, os impostos referentes
ao período, as despesas como contador, seguro, aluguel,
funcionários, encargos trabalhistas, etc. Não
deve incluir, em hipótese nenhuma, a saída para
pagamentos financeiros como juros, financiamentos, multas,
ou qualquer saída de recursos que não esteja
ligado diretamente com a atividade operacional do posto. Não
incluir também os custos relacionados com a incidência
dos impostos sobre o lucro (Imposto de Renda e CSLL).
Importante: no caso do vendedor possuir o imóvel, mas
esse não fazer parte da negociação, deve-se
incluir o valor do aluguel estipulado pelo proprietário
para que o cálculo represente a realidade do negócio;
·
Fator de Multiplicação
Equivalente em coeficiente de multiplicação
a um número que varia entre 20 e 35 vezes.
Importante: lembre-se que são valores referenciais
e variam segundo critérios regionais e de mercado;
·
Imóvel
Refere-se ao valor estipulado do imóvel (terreno mais
construção), se este foi envolvido no negócio.
·
Contas a Receber e Estoque
Considerar todos os créditos que faltam receber e somar
também o valor de reposição atual do
estoque apurado em inventário no dia da transferência
da gestão do posto. Incluem tanto o estoque dos combustíveis
quanto os demais produtos vendidos no posto.
·
Dívidas Adquiridas
São todas as dívidas ainda não pagas
independente do prazo de liquidação. Dívidas
com fornecedores, contas a pagar, impostos a recolher, empréstimos
bancários e provisões (despesas incorridas,
geradas ainda não pagas, mas assumidas pela empresa).
Encaixam-se nas provisões todas as dívidas referente
ao período imediatamente anterior à negociação
e ainda não pagas como o Imposto de Renda, os encargos
trabalhistas como férias, 13º salário e
ainda os custos estimados para uma possível demissão
de todos os funcionários.
Observações:
· Nesse modelo de cálculo, outros bens além
do imóvel como Instalações, Móveis
e Utensílios, etc., não são considerados
pois, pressupõem-se que eles foram recompensados pelo
uso do fator de multiplicação, excetuando apenas
o imóvel por representar montantes maiores e significativos;
· Desconsiderei do método apresentado a questão
da correção dos valores futuros tanto a pagar
como a receber, o chamado "Valor Presente Líquido"
por considerar que tal procedimento iria complicar os cálculos
desnecessariamente, pois no posto não existem prazos
de pagamentos "alongados" . De qualquer forma a
fórmula básica para o Valor Presente Líquido
é a seguinte:
VP
= VF
(1+i)n
Onde:
VP = Valor Presente Líquido. É o valor atualizado.
VF = Valor Final. É o valor base antes da atualização.
i = Taxa de capitalização. Corresponde a uma
taxa de juros média de mercado dividida por 100 para
ter seu valor expresso em número. Considerar uma taxa
com capitalização mensal.
n = Prazo de pagamento do valor calculado em meses.
Esclarecimentos:
· Trata-se de uma fórmula para cálculo
de juros capitalizados, quando o juro incide sobre o juro;
· Deve-se aplicar o cálculo individualmente
para cada item a ser atualizado.