Como
alcançar o valor de negócio de um Posto Revendedor
de Combustíveis.
Parte 3 - Método do Múltiplo de Galonagem.
Por:
Eduardo Benetti - 19/12/2001
É o mais utilizado pelo mercado brasileiro e representa
a multiplicação de um fator pela venda mensal
de combustíveis em litros. Para correção
de certas sazonalidades, deve-se considerar ao menos a média
de venda dos últimos três meses. Assim ele reflete
o resultado operacional sem análises mais profundas
e considera que o negócio predominante e essencial
seja a venda de combustível (gasolina, diesel, álcool
e GNV).
Vantagens:
· fácil aplicabilidade;
· dispensa dados mais complexos;
· não se baseia na contabilidade;
· normalmente o fator reflete uma situação
real de mercado, principalmente se obtido de profissionais
ligados ao segmento.
Desvantagens:
· não reflete uma avaliação justa
para os casos em que o posto possua atividades agregadas significativas
no faturamento total, como lojas de conveniência, troca
de óleo, padaria, etc. Esses agregados podem ser avaliados
separadamente e acrescidos ou não no montante final;
· a avaliação pode ficar super-estimada
quando o cálculo for feito sobre o total de litros
vendidos com uma margem de lucro abaixo de mercado. É
comum encontrar postos que camuflam a venda total em litros
usando um preço promocional, o que representa uma baixa
lucratividade por litro vendido e leva a um resultado operacional
enganoso. Nesse caso deve-se ajustar o fator de multiplicação
utilizando-se de bom senso ou então fazer o cálculo
pela galonagem que o posto venderia com o preço real
de mercado. Trata-se de um aspecto polêmico porque não
existe consenso em qual seria a margem correta e justa pois
se trata de uma situação de concorrência
de mercado e ainda o dono do posto dificilmente admite que
vende por uma margem baixa.
Normalmente
o fator usado na multiplicação varia de região
para região e também conforme condições
específicas de mercado. Uma forma usual para identificar
esse fator é a consulta a um corretor que atue no segmento
e conheça as características do negócio
e da região.
Outra informação importante é a variação
do fator de multiplicação conforme a bandeira
do posto. O mercado aponta atualmente para um fator um pouco
mais alto para os postos que não possuem vínculos
com Distribuidoras conhecidas (Shell, Texaco, Agip, Esso,
BR, Ipiranga, etc.), são os chamados Bandeira Branca.
Claro que isso pode variar conforme épocas e está
estreitamente ligado com a relação "oferta
x procura", pois o mercado estabelece valores conforme
o volume de opções para venda e a procura por
um ou por outro tipo de posto, e, atualmente, a procura tem
sido maior por Postos Bandeira Branca enquanto sua oferta
de opções de venda diminui.
Veja mais sobre esse assunto clicando aqui.
O
cálculo é muito simples, mas exige atenção
quanto a alguns aspectos. Segue um modelo teórico do
cálculo e depois um modelo simplificado:
Valor
do Negócio em Reais = Galonagem Total x Fator Multiplicação
+ Ativo Imobilizado + Ativo Circulante - Passivo Circulante
e Exigível
Onde:
· Galonagem Total
Representa o total de combustíveis em metros cúbicos
(1 m3 = 1.000 litros), vendidos num período de 30 dias
(um mês) incluindo Gasolina, Álcool, Diesel e
Gás Natural (GNV). Considera-se a média dos
últimos três meses;
·
Fator de Multiplicação
Equivalente em Reais a um número que varia entre R$
1,00 e R$ 2,50 quando o cálculo é feito em litros
e entre R$ 1.000,00 e R$ 2.500,00 quando o cálculo
é em metros cúbicos.
Importante: lembre-se que são valores referenciais
e variam segundo critérios regionais e de mercado;
·
Ativo Imobilizado
Considera-se o valor do imóvel, se ele entrou na negociação,
caso contrário é só não considerar.
Observação: tecnicamente o ativo imobilizado
representa outros bens além do imóvel como Instalações,
Móveis e Utensílios, etc., mas para efeito desse
modelo de cálculo do valor da empresa pressupõem-se
que os outros bens foram recompensados pelo uso do fator de
multiplicação, excetuando apenas o imóvel
por representar montantes maiores e significativos;
·
Ativo Circulante
Representa a soma do total de contas a receber e o valor do
estoque assumido. Deve-se descontar das contas a receber a
parcela relativa a devedores duvidosos (se existir esse risco)
e calcular o valor de estoque pelo custo de reposição
da mercadoria na data da negociação final. Isso
vale tanto para os combustíveis quanto para outras
mercadorias.
·
Passivo Circulante e Exigível
São as obrigações a pagar independentes
do prazo. São dívidas com fornecedores, contas
a pagar, impostos a recolher, empréstimos bancários
e provisões (despesas incorridas, geradas ainda não
pagas, mas assumidas pela empresa). Encaixam-se nas provisões
todas as dívidas referente ao período imediatamente
anterior à negociação e ainda não
pagas como o Imposto de Renda, os encargos trabalhistas como
férias, 13º salário etc.
Modelo
Simplificado
Valor
do Negócio em Reais = Galonagem Total x Fator Multiplicação
+ Imóvel + Contas a Receber e Estoque - Dívidas
Adquiridas