Por: Eduardo Benetti - 26/12/2001
Até
que ponto a concorrência afeta o negócio de um
posto revendedor de combustíveis?
Como em todo varejo, quando o faturamento depende do movimento,
do fluxo de pessoas na micro-região, a concorrência
considerada direta (os postos mais próximos) exerce
uma séria ameaça no resultado final do posto.
Um resultado dessa disputa se materializa na notória
guerra de preços que existe entre postos de determinada
região. Em alguns locais existe um acordo com relação
a diferença de preços entre os donos de postos,
o que pode caracterizar um cartel que é proibido por
lei. Já que manter um acordo de preços é
difícil tanto pela falta de contato e relacionamento
entre os donos de postos como pelos riscos em formar um cartel
a saída é saber competir num mercado competitivo,
e isso requer uma atenção especial no seu concorrente.
Avaliar
o posicionamento, a estratégia, o relacionamento com
os clientes, com os fornecedores, a política de preços,
enfim acompanhar todas as ações dos concorrentes
mais próximos pode significar a sobrevivência
do posto.
No livro "Marketing de Guerra" de Al Ries, temos
a comparação direta entre as situações
vividas em uma Guerra, analisando os aspectos que englobam
os conflitos e disputas, com as situações vividas
pela competição dos mercados na busca pelo lucro.
Nisso são comparadas as estratégias utilizadas
numa guerra com as estratégias de marketing usadas
pelas empresas.
Seguindo essa linha de pensamento, assim como numa guerra
existe a constante busca pela vitória através
de estratégias, e são somente reconhecidos os
vitoriosos, também no mercado as estratégias
de marketing devem ser julgadas apenas pela sua efetividade,
o resultado final é que vale.
Assim,
no campo de estudo do marketing, muito se dedica para a análise
das necessidades, desejos e interesses do consumidor, muitas
vezes deixando-se de lado uma orientação mais
adequada para a concorrência. O autor procura alertar
para esse aspecto e mostra diversos exemplos práticos
da guerra travada pelo aumento de vendas e conquistas de mercados
entre algumas das mais importantes empresas mundiais.
Numa
guerra se ganha enganando o inimigo com muita astúcia,
flanqueando e dominando o inimigo. O território ganho
é apenas o resultado das ações aplicadas.
Algumas observações são importantes ao
analisar uma guerra:
· forças concentradas significam um maior poder;
· em guerra sempre há baixas de ambos os lados;
· a melhor abordagem não é necessariamente
a mais direta;
· teoricamente a vitória cabe ao exército
maior;
· o treinamento das tropas é muito importante;
· a aproximação indireta é uma
arma bastante eficaz;
· uma posição defensiva bem estabelecida
é difícil de sobrepujar;
· a velocidade de ação é fundamental;
· atacar o ponto forte do inimigo é, em alguns
casos, uma boa estratégia;
· um ponto decisivo numa guerra é a quantidade
de soldados;
· qualidade e quantidade são fatores decisivos;
· a superioridade da força é avassaladora
de tal forma que pode superar diferenças de qualidade;
· a surpresa promete muito mas, na prática,
esbarra na necessidade de organização rápida;
· quanto maior a operação menor será
a surpresa para o inimigo;
· o sucesso de um faz outro fracassar;
· a guerra só é ganha quando muitas batalhas
foram vencidas;
· um bom general estuda a posição do
inimigo;
· identificar e se adaptar ao tipo de combate é
importante;
· mais importante do que o seu tamanho é o do
inimigo;
· toda ação provoca uma reação;
· deve-se preparar para um contra-ataque;
· quem tem maior força reserva está em
posição dominante;
· esteja preparado para cair fora logo ao 1º aviso.
É uma forma de viver para combater outro dia;
· a chave da guerra é usar estratégias
sob a medida do inimigo e não a sua.
Todos
esses aspectos podem ser aplicados ao marketing, sendo que
a única diferença é que a guerra de marketing
ocorre na mente humana, sua artilharia é composta por
palavras, propagandas, figuras e sons e a conquista é
a preferência do consumidor.
O
autor aponta basicamente quatro estratégias principais
numa guerra de marketing: defesa, ataque, flanqueamento e
guerrilha.
DEFESA:
deve se fazer guerra defensiva quando já existe uma
posição bem consolidada, portanto a estratégia
defensiva é para o líder de mercado. Isso não
significa acomodação, pois uma posição
de defesa exige uma boa estratégia de defesa para defender-se
dos ataques que virão. Atacar-se constantemente é
sinônimo de uma boa defesa, uma vez que o lançamento
e aperfeiçoamento de novos produtos, linhas e segmentos
mesmo que possa vir a concorrer consigo mesmo vai dificultar
em muito as estratégias de ataque do concorrente.
ATAQUE:
geralmente é um jogo para quem ocupa o 2º e 3º
lugar. Tem que ser suficientemente forte para montar e sustentar
uma ofensiva contra o líder. Pode-se esperar contra-ataques
nos mesmos níveis ou mais agressivos o que transforma
essa estratégia em puro risco.
FLANQUEAMENTO:
encontre uma fraqueza no líder e ataque esse ponto
com total surpresa. Deve ser lançado em uma frente
de batalha mais estreita possível, um único
segmento, uma única linha de produtos ou um único
produto. Sempre existe uma fraqueza na força do líder,
o desafio é encontra-la. Não exige necessariamente
algo totalmente novo, algum elemento de novidade ou exclusividade
pode significar uma nova categoria para o cliente. Nessa estratégia
a perseguição é tão crítica
quanto o próprio ataque de flanco, deve haver um preparo
maior (recursos humanos e financeiros) para dar seqüência
consistente ao ataque. Reforçar o sucesso é
sinônimo de abandonar o fracasso. Alguns tipos de ataque
de flanco enfocam o preço mais baixo ou mais alto,
tamanho pequeno de empresa com um nicho adequado, distribuição,
forma e benefício do produto, etc. Pelo alto risco
requer visão e antevisão bastante aguçadas.
GUERRILHA:
por definição reduz o tamanho do campo de batalha
para conseguir uma superioridade de força. Encontrar
um segmento de mercado bastante pequeno para um domínio
mais fácil e desinteressante para um grande atacar.
Geralmente com forças limitadas para iniciar, precisa
vencer a tentação de espalhar as forças
para expandir o mercado dominado o que pode provocar o líder.
Pode ser focada numa área geográfica, num produto
ou ramo específico ou num segmento da população.
Com tamanho pequeno é mais fácil mudar estrategicamente
o rumo e encontrar uma oportunidade nova sem muitas dificuldades.
Buscar aliados estratégicos com outras guerrilhas é
um reforço importante.
Numa
analogia à situação de mercado, o autor
distribui as estratégias dizendo que apenas 1% das
empresas devem defender, 2% atacar, 3% flanquear e 94% guerrilhar.
Ainda, uma estratégia muito bem elaborada e grandiosa
pode ser um fracasso se as tropas não forem alocadas
no lugar e momento certos, a fim de realizar taticamente o
trabalho. Portanto a estratégia segue e dirige a tática
e o objetivo deve dominar todo o planejamento.
Os
bons estrategistas equacionam a tática com a realidade.
Não tentam o impossível e não forçam
além do razoável. Nenhum comandante lança
um ataque sem reserva adequada. Algumas características
do general de marketing são a flexibilidade para ajustar
a estratégia à situação e não
o inverso e para observar todos os aspectos e pontos de vista
antes de tomar uma decisão, a coragem mental para enfrentar
os desafios, ousadia, conhecimento geral, saber as regras
mesmo que não as obedeça, um forte poder de
concentração na batalha e no inimigo e, por
fim, uma pitada de sorte.
O autor enfatiza muito no livro as semelhanças de uma
guerra real com a guerra de marketing e conclui que a estratégia
e a oportunidade são os fatores de maior importância
em ambos.