Realização
periódica de análises químicas de BTEX
e PAH, em amostras de água e solo, nos postos de combustíveis.
Crédito: Marcos Lourenço - 15/03/2005
Soma Análises Técnicas Ltda
Investigação
do Passivo Ambiental
A
Investigação do Passivo Ambiental, em postos
de combustíveis, é uma ferramenta muito importante
que irá definir o projeto que deverá ser implantado
no local, bem como a necessidade ou não da implantação
de medidas corretivas de remediação ambiental
do solo e águas subterrâneas contaminadas.
A
investigação do Passivo Ambiental é realizada
através de diversas perfurações no solo
do posto com instalação de poços de monitoramento
e coleta de amostras de solo e água, bem como análises
de BTEX, PAH, além de VOC (Compostos Orgânicos
Voláteis) e TPH (Hidrocarbonetos Totais de Petróleo).
Compostos Químicos de Interesse: BTEX e PAH
Os compostos químicos de interesse são aqueles
associados aos produtos relacionados ao processo operacional
e produtivo do posto de serviço, que potencialmente
possam ocorrer como contaminantes nos meios de interesse.
Compostos químicos de interesse podem estar também
associados a atenuação natural, como produto
do decaimento de alguns contaminantes no meio físico.
Comumente são utilizados como compostos de Interesse
para projetos de Caracterização Ambiental Detalhada
os seguintes grupos funcionais:
BTEX (Benzeno, Tolueno, Etilbenzeno e Xilenos )
A contaminação de águas subterrâneas
por combustível derivado de petróleo tem sido
objeto de crescente pesquisa no Brasil. Os compostos benzeno,
tolueno, etilbenzeno e xilenos (BTEX), presentes nesses combustíveis,
são extremamente tóxicos à saúde
humana e podem inviabilizar a exploração de
aqüíferos por eles contaminados.
A
água subterrânea tem se tornado uma fonte alternativa
de abastecimento de água para o consumo humano. Isto
é devido tanto à escassez quanto à poluição
das águas superficiais, tornando os custos de tratamento,
em níveis de potabilidade, cada vez mais elevados.
Em geral, as águas subterrâneas são potáveis
e dispensam tratamento prévio, pois os processos de
filtração e depuração do subsolo
promovem a purificação da água durante
a sua percolação
no meio, tornando-se uma fonte potencial de água de
boa qualidade e baixo custo, podendo sua exploração
ser realizada em áreas rurais e urbanas.
A
qualidade das águas subterrâneas deve ser preservada,
daí a crescente preocupação com a sua
contaminação. Entre as principais fontes de
contaminação do solo e das águas subterrâneas
pode-se citar os vazamentos em dutos e tanques de armazenamentos
subterrâneos de combustível, atividades de mineração
e uso de defensivos agrícolas. Outras importantes fontes
de contaminação são os esgotos que, nas
cidades e nas regiões agrícolas, são
lançados no solo diariamente em grande quantidade,
poluindo rios, lagos e lençol freático.
Devido
ao número alarmante de vazamentos de tanques de armazenamento
subterrâneos (TAS) a contaminação de aqüíferos
a partir de derramamentos de combustível desses tanques
tem sido um assunto de grande interesse nas
últimas décadas.
Para se ter uma idéia da grandeza do problema, a Agência
de Proteção Ambiental Norte Americana (EPA)
estima que 30% dos TAS nos Estados Unidos estão com
problemas de vazamento. Este aumento repentino no número
de vazamento nos
tanques de gasolina está relacionado ao final da vida
útil dos tanques, que é de aproximadamente 25
anos.
Como
na década de 70 houve um grande aumento do número
de postos no país, supõe-se que a vida útil
dos tanques de armazenamento, que é de aproximadamente
25 anos, esteja próxima do final, aumentando a ocorrência
de vazamento. As preocupações relacionadas ao
potencial de contaminação de águas subterrâneas,
por derramamento de combustível, vêm crescendo
em diversas cidades brasileiras. São Paulo e Curitiba
possuem legislações sobre o tema e, em Joinville,
a Prefeitura realizou um estudo com 65 postos da cidade, em
que foi constatado que somente um deles não possuía
qualquer tipo de vazamento.
Os
principais contaminantes das águas subterrâneas
são os compostos aromáticos, os hidrocarbonetos
oxigenados, os íons metálicos, os microorganismos
e os compostos nitrogenados.
A
presença de compostos nitrogenados também indica
o grau de contaminação e as condições
higiênico-sanitárias do aqüífero.
Os
maiores problemas de contaminação são
atribuídos aos hidrocarbonetos monoaromáticos,
que são os constituintes mais solúveis e mais
móveis da fração da gasolina. Estes hidrocarbonetos
monoaromáticos, tais como benzeno, tolueno, etilbenzeno
e xilenos (orto-, meta-; para-), são denominados de
BTEX.
Esses
compostos são poderosos depressores do sistema nervoso
central, apresentando toxicidade crônica, mesmo em pequenas
concentrações.
O benzeno é reconhecidamente o mais tóxico de
todos os BTEX.
Trata-se de uma substância comprovadamente carcinogênica
(podendo causar leucemia, ou seja, câncer dos tecidos
que formam os linfócitos do sangue), se ingerida, mesmo
em baixas concentrações durante períodos
não muito longos de tempo. Uma exposição
aguda (altas concentrações em curtos períodos)
por inalação ou ingestão pode causar
até mesmo a morte de uma pessoa.
Quando
ocorre um derramamento de gasolina, uma das principais preocupações
é a contaminação de aqüíferos
que são usados como fonte de abastecimento de água
para consumo humano. Por ser muito pouco solúvel em
água, a gasolina derramada, contendo mais de uma centena
de componentes, inicialmente estará
presente no subsolo como líquido de fase não
aquosa (NAPL). Em contato com a água, os compostos
BTEX se dissolverão parcialmente, sendo os primeiros
contaminantes a atingir o lençol freático.
Evidências
de campo sugerem que muitos dos hidrocarbonetos monoaromáticos
originários dos vazamentos biodegradam naturalmente
antes dos contaminantes alcançarem um receptor de água
potável, indicando que pode estar ocorrendo uma atenuação
natural. O conceito de biorremediação intrínseca
(atenuação natural) é o fenômeno
que envolve o uso de microorganismos endógenos que
possuem a capacidade de degradar compostos perigosos, tais
como os BTEX, dentro de aqüíferos, transformando-os
em dióxido de carbono e água.
Inúmeras
pesquisas vêm sendo realizadas com a finalidade de restaurar
a qualidade das águas subterrâneas até
níveis de potabilidade empregando-se diversas técnicas
como: recuperação do produto livre, biodegradação
sob
condições desnitrificantes, biodegradação
utilizando- se diferentes aceptores de elétron, extração
de vapor do solo, remediação pela eletrocinética,
adição de nitrato, bioventilação
pela injeção de ar no solo, utilização
de lodo para promover subsídios à biodegradação
anaeróbica, adsorção em carvão
ativado, entre outras.
Todos
os processos citados anteriormente para restaurar a qualidade
das águas podem ser implementados para controlar o
movimento das plumas (contaminantes), tratamento de águas
subterrâneas, e/ou descontaminação de
solos, mas em razão da associação de
diferentes características de cada sítio, dos
elevados custos e dos longos períodos de tempo das
técnicas de remediação para tornar as
águas potáveis novamente, muitos pesquisadores
dedicam-se ao desenvolvimento de modelos matemáticos
como alternativa na simulação e na previsão
de processos de transporte e biodegradação.
Nas
últimas décadas, em virtude da escassez do petróleo
e do excesso de monóxido de carbono no ar atmosférico
nos grandes centros urbanos, alguns países, entre eles
o Brasil, passaram a utilizar como combustível alternativo
uma mistura de álcool e gasolina. As interações
entre o etanol e os BTEX causam um efeito diferente no deslocamento
da pluma de contaminantes em relação ao observado
em países que utilizam gasolina pura.
Quando o etanol está presente em concentrações
altas, os BTEX podem deslocar-se mais rapidamente.
O etanol é completamente solúvel em água,
e sua concentração é maior que a dos
BTEX, em águas subterrâneas contaminadas por
misturas de etanol e gasolina. Os compostos altamente solúveis
têm menor poder de sorção. Sendo assim,
o etanol terá uma mobilidade maior que os compostos
BTEX nas águas subterrâneas.
Este processo é causado pela sorção no
solo, levando os compostos BTEX a se
deslocarem a uma distância maior. Todos os álcoois
primários podem ser biodegradados em preferência
aos BTEX e consumir o oxigênio disponível, além
de ser tóxico ou inibitório do crescimento dos
microorganismos degradadores de BTEX.
Para
a biodegradação dos hidrocarbonetos é
essencial uma reação redox, em que o hidrocarboneto
é oxidado (doador de elétron) e um aceptor de
elétron é reduzido. Existem diferentes compostos
que podem agir como aceptores de elétron, entre eles
o oxigênio (O2), o nitrato (NO3-), os óxidos
de Fe(III), o sulfato
(SO4=), entre outros. Bactérias aeróbicas usam
oxigênio molecular como aceptor de elétron e
bactérias anaeróbicas usam outros compostos,
tais como nitrato (NO3-), óxidos de Fe(III), sulfato
(SO4=) como aceptor de elétron. O oxigênio
é o aceptor preferencial, pois os microorganismos ganham
mais energia nas reações aeróbicas. Dentre
os aceptores de elétron das reações anaeróbicas,
o nitrato é um dos íons mais encontrados em
águas naturais, ocorrendo geralmente em baixos teores
nas águas superficiais, mas podendo atingir altas concentrações
em águas subterrâneas.
A
disponibilidade tanto de oxigênio dissolvido quanto
de nitrato (aceptores de elétron) provavelmente contribui
para a ocorrência da atenuação natural
dos BTEX (biodegradação) em sítios de
estudo. Porém se a concentração de benzeno,
for muito maior que a permitida pela Legislação
Federal, este hidrocarboneto aromático, tóxico,
resiste à biodegradação.
É
importante ressaltar que o monitoramento PERIÓDICO
da qualidade da água e do solo de poço, ministrado
pelo responsável pelo posto, deve ser acompanhado pelo
órgão público competente sobre o assunto
para respaldar e proteger a população local,
além de fiscalizar e avaliar os trabalhos que estão
sendo realizados.
PAH (Hidrocarbonetos Aromáricos Policíclicos
)
O óleo Lubrificante, conforme resolução
CONAMA Nº 9 é um produto formulado a partir de
óleos lubrificantes básicos e aditivos; Óleo
lubrificante básico: Principal constituinte do óleo
lubrificante.
De
acordo com sua origem, pode ser mineral (derivado de petróleo),
ou sintético (derivado de vegetal ou de síntese
química).
Uma
das principais diferenças de um óleo novo e
um óleo usado, é que
confere o seu caráter de resíduo perigoso, a
presença de metais pesados e
hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAH).
O
óleo usado contém normalmente grandes quantidades
de Pb (chumbo), Zn (Zinco), Ca (Cálcio), Ba (Bário),
e quantidades menores de Fé (Ferro), Na (Sódio),
Cu (Cobre), Al (Alumínio), Cr (Cromo), K (Potássio),
Ni (Níquel), Sn (Estanho), B (Boro) e Mo (Molibidênio).
O
popular "óleo queimado" é mundialmente
considerado como produto
maléfico ao meio ambiente e a saúde pública,
estando inserido na "Classe I dos
Resíduos Perigosos", por apresentar toxidade,
conforme a norma da ABNT, NBR
10004.
É
muito importante também realizar o monitoramento PERIÓDICO
da qualidade da água e do solo dos poços de
monitoramento existentes nos postos de combustíveis,
para determinação de PAH's a fim de controlar
a poluição gerada pelo funcionamento, no empreendimento,
de bases de trocas de óleos lubrificantes e desta forma,
evitando maiores problemas com a população local
e o órgão público competente.
Sondagens Ambientais de Solo
O solo representa um meio de contato direto em situações
de exposição e onde freqüentemente onde
estão localizadas as fontes de contaminação
que iram contaminar secundariamente outros meios (ex. água
subterrânea). Logo, o número, distribuição
e localização e tipo de amostras de solo podem
influenciar significantemente os resultados da Caracterização
Ambiental Detalhada.
A heterogeneidade natural do solo é um dos grandes
problemas para definição de um plano de amostragem
que gere dados representativos. Entretanto, um número
adequado de amostras de solo pode ser definido com auxilio
do modelo conceitual preliminar da área de estudo.
O objetivo da amostragem do solo é assegurar a obtenção
de informações confiáveis a respeito
da existência, concentração e distribuição
na área investigada, dos compostos químicos
de interesse para a Caracterização Ambiental.
Desta forma, os seguintes fatores devem ser considerados para
a elaboração do plano de amostragem de solo:
· Distribuição dos pontos de amostragem;
· Números de pontos de amostragem;
· Profundidade de amostragem;
· Alíquota necessária para análise;
· Obtenção de amostras pontuais, em funções
dos grupos funcionais de interesse;
· Protocolo de amostragem e preparação
de amostras de solo;
As Sondagens Ambientais de Solo devem visar o mapeamento da
área impactada, a identificação dos focos
potenciais de contaminação, bem como o mapeamento
dos limites da contaminação em fase livre e
fases residuais. Também devem ser considerados pontos
de conformidade entre as fontes potenciais de impacto e os
receptores potencialmente expostos.
A amostra de solo a ser enviada para análise química
laboratorial deverá ser a representativa do ponto com
maior concentração de compostos orgânicos
voláteis (VOC) no solo ou no caso de valores nulos
de leitura de VOC, aquela coletada no intervalo mais profundo,
junto à franja capilar.
As amostras de solo de cada ponto investigado devem armazenadas
em frascos de vidro devidamente identificados, e posteriormente
acondicionadas em caixa térmica com gelo, garantindo
um ambiente com baixas temperaturas, até o envio ao
laboratório.
O procedimento de garantia de procedência e respeito
ao tempo de espera das amostras segundo os parâmetros
a serem analisados deve ser garantido pelo preenchimento adequado
do Relatório de Custódia.
Amostragem de Água Subterrânea
Visando o mapeamento das concentrações dos compostos
químicos de interesse na água subterrânea,
bem como o entendimento da hidrodinâmica local, devem
ser instalados poços de monitoramento distribuidos
na área de interesse do projeto.
Neste caso, usualmente as informações são
geradas a partir da instalação de poços
de monitoramento, os quais devem ser instalados considerando
o modelo conceitual preliminar da área de estudo. Tanto
o perfil construtivo dos poços de monitoramento (tipo
de poço), quanto sua quantidade e distribuição
nas áreas de interesse, devem ser definidos em função
dos seguintes aspectos:
· Mapeamento das fontes de contaminação;
· Mapeamento espacial da pluma de contaminação
dissolvida na água subterrânea;
· Quantificação das concentrações
nos pontos de exposição, quando possível;
· Estabelecimento de pontos de controle e monitoramento
da contaminação;
Conforme descrito no Manual de Gerenciamento de Áreas
Contaminadas da CETESB, deve ser considerada a ordem de amostragem
dos poços de monitoramento definida dos poços
de menor concentração dos compostos químicos
de interesse para os com maiores concentrações.
A água subterrânea estagnada dentro do poço
de monitoramento e na região do pré-filtro possui
equilíbrio físico-químico diferente da
água da formação (aqüífero).
Por esse motivo, antes da coleta de água subterrânea
deve realizado o esgotamento do poço a ser amostrado.
Segundo a Norma 06.010/88 da CETESB, o volume a ser esgotado
corresponde a 3 vezes o volume da coluna d'água do
poço de monitoramento, quando este possui boa recuperação.
Se a recuperação não é boa, pode-se
então esgotar totalmente o poço e, quando este
se recuperar suficientemente, efetuar a coleta e a obtenção
dos parâmetros físicos.
Uma
vez realizado o esgotamento do poço, devem ser iniciados
os procedimentos de coleta de água subterrânea.
A amostragem deve ser realizada em ordem decrescente à
susceptibilidade a volatização dos parâmetros
a serem determinados.
Após a coleta, os frascos devem ser acondicionados
em caixa térmica com gelo, garantindo um ambiente com
baixas temperaturas, até que estes cheguem ao laboratório.
Análises
laboratoriais
As
amostras deverão ser encaminhadas para um laboratório
especializado (Laboratório recomendado: SOMA Análises
Técnicas - Contato Comercial: Marcos Lourenço
fone: 19-3837-1716 / cel.:19-9176-0735 / e-mail: marcos.lourenco@uol.com.br
), o qual, fará análises químicas de
BTXE (Benzeno, Tolueno, Xileno e Etilbenzeno) e PAH's (hidrocarbonetos
aromáticos polinucleados) no solo e na água.
Serão também realizadas medições
de gases no solo (VOC) no momento da realização
das sondagens.
Com
os laudos analíticos em mãos poderão
ocorrer duas situações diversas. Segue abaixo
as situações:
Situação
1: Ocorrerá quando os laudos apresentarem resultados
positivos, ou seja, houver detecção de contaminantes
no solo ou na água. Caso a situação seja
esta, o caminho a seguir será a recuperação
da área contaminada (solo e água subterrânea);
Situação
2: Ocorrerá quando os laudos apresentam resultados
negativos, ou seja, não há detecção
de contaminantes no solo. Neste caso inicia-se o processo
de licenciamento.