Impacto
ambiental na coleta de amostras para o licenciamento ambiental.
Uma visão técnica sobre o assunto.
Por:
JOSÉ RICARDO LEMOS
SANITARISTA / QUÍMICO TECNOLÓGICO / AUDITOR
AMBIENTAL
E-mail: eng.lemos@ig.com.br / jricardo@fec.unicamp.br
A coleta de amostras que pode parecer uma tarefa relativamente
simples, tem por finalidade obter de uma matriz em condições
de confiabilidade para subsidiar uma análise e por
conseqüência a interpretação representativa
dos resultados e da elaboração do relatório
final.
Portanto,
é indispensável a participação
de técnicos ambientais treinados e motivados, pois
eles precisam anotar quaisquer fato ou anormalidade que possa
interferir nas características de cada matriz.
Os
métodos de preservação das amostras tem
por objetivo retardar a ação biológica
e a hidrólise dos compostos químicos complexos,
reduzir a volatilidade dos constituintes e os efeitos de absorção,
precipitação ou ainda preservar organismos,
evitando ou minimizando assim algumas alterações
morfológicas, fisiológicas e químicas.
Infelizmente,
na coleta de amostras de determinadas matrizes, ainda temos
o atraso intelectual científico, para considerarmos
esta atividade técnica como uma atividade relativamente
simples, ou que não exige qualquer critério
ou conhecimento científico, podendo portanto, ser executada
por qualquer pessoa. Essa percepção é
falha, porque uma amostra, por definição, representa
a síntese do comportamento do universo estudado e,
assim, a sua coleta exige profundo conhecimento científico,
podendo ter que contar com recursos humanos de alta qualidade.
A
definição dos usos propostos para o corpo d'água,
o conhecimento dos riscos à saúde da população,
os danos aos ecossistemas, a toxicidade das substâncias
químicas, os processos industriais e as medidas de
vazão somam algumas das informações básicas
necessárias para se definirem metodologia de coleta,
a escolha dos pontos de amostragem e a seleção
dos parâmetros. Sem isso, qualquer programa e/ou projeto
de avaliação de impacto ambiental, podem gerar
dados distorcidos sobre a realidade, induzindo e/ou favorecendo
decisões errôneas.
Devemos
ter sempre em mente, que a medida que se exijam informações
mais detalhadas, que possam implicar aumento do número
de parâmetros de avaliação, número
de amostras, freqüência de amostragem, ou utilização
de tecnologia mais avançada, o tempo e os custos envolvidos
se elevam sensivelmente.
Tendo
portanto, um programa de coleta de amostras não significa
simplesmente ir buscar um frasco com uma amostra qualquer
a ser caracterizada, mas ter uma atividade a ser explorada
no contexto do programa, uma vez que as observações
e dados de campo, pesam bem mais que os próprios resultados
analíticos.
Para
o planejamento de um programa de coleta de amostras, devemos
obter informações preliminares sobre a área
de influência, por meio de:
· localização exata do ponto através
de mapas cartográficos, características locais,
atividades humanas (industriais, agricultura, zonas urbanas);
· avaliação de eventuais estudos ou levantamento
afins já realizados no local pelo contato com as pessoas
envolvidas nesses estudos, para obtenção de
outras informações práticas, normalmente
não citadas nos relatórios técnicos;
· visita à área de estudo para seleção
de locais de amostragem viáveis, verificando-se o acesso
e as possíveis limitações ou interferências,
a disponibilidade de apoio local para armazenamento e transporte
de material de coleta e amostras, a situação
das vias de acesso e o tempo necessário para a realização
dos trabalhos.
· Deve-se obter dados, como possíveis lançamentos
de lixo e resíduos industriais ou domésticos.